Jorginho Na Escola

O personagem Jorginho esteve presente por meio da literatura bilíngue em todas as salas de aula do turno matutino da UMEF Professora Nice de Paula Agostini Sobrinho (6°-9° ano). A professora da disciplina de Libras, Alhandra Lanças, trabalhou o vocabulário relacionado a expressividade artística usando o quarto volume da coleção Jorginho Pelo Brasil. O livro tem como proposta que o professor desenvolva as diversas maneiras de se expressar por meio da arte, de forma que ao finalizar a leitura os alunos sejam incentivados a criar trabalhos artísticos utilizando uns aos outros como meio de inspiração. Despertando um olhar sensível para o outro e para tudo que nos cerca em nosso cotidiano.

Foi abordada em sala a explicação do conceito de literatura bilíngue, enfatizando a presença de duas línguas diferentes em um mesmo livro; Os alunos tiveram contato com o livro de literatura bilíngue, destacando as diferentes línguas e sistemas de escrita utilizados e compreenderam a importância de explorar diferentes línguas e culturas através da leitura.

Após explorarem bastante os recursos do livro os alunos tiveram contato com o próprio autor do livro e puderam trocar experiências entre si. 

Os alunos surdos fizeram a leitura do livro em sua L1 – Libras para algumas turmas e contaram com a presença de uma professora surda, Amanda Freitas. A presença da Amanda tornou o momento de contação da história ainda mais especial, ressaltando a literatura bilíngue e dando lugar de destaque à Língua Brasileira de Sinais gerando nos alunos ouvintes a curiosidade, interesse e aprendizado de sinais básicos da Libras. Foi um momento rico em troca de experiências entre as culturas surda e ouvinte.

Durante a leitura foi aplicada uma dinâmica em que cada página era lida duas vezes. Na primeira leitura realizada pelos surdos os alunos ouvintes tentavam descobrir o nome no português dos sinais dentro daquele contexto por meio de suas percepções sobre sinais icônicos, expressões faciais e corporais (alguns dos parâmetros que regem a Libras). Para a fixação do vocabulário contextualizado os alunos faziam junto com os surdos novamente a leitura da página. Os alunos também puderam trabalhar noções de tradução interagindo com a professora Alhandra Lanças escolhendo juntos possíveis frases na estrutura do português que traduzissem a leitura em Libras dos surdos.

As turmas do matutino já haviam sido inseridas ao universo do Mundobrel por meio de dinâmicas aplicadas pela professora Alhandra Lanças que se utilizou do material didático de apoio dessa coleção. O Jogo dos Estados e o Tapete de Histórias (Mapa do Brasil) da coleção de livros Jorginho Pelo Brasil foram utilizados em uma dinâmica onde foi sorteada uma peça (almofadinha) do jogo para cada aluno da sala. Na dinâmica cada aluno executou o sinal referente a um estado brasileiro a fim de que a sala descobrisse seu nome em português. Após isso, os alunos procuravam nas regiões do Brasil onde esse estado se localiza no mapa exposto na frente da sala.

as dinâmicas de aprendizagem, consideradas como um instrumento educacional facilitador da aprendizagem, aparecem como opção lúdica para dinamizar a relação ensino/aprendizagem. Através do seu uso, efetivamente pode-se aplicar a teoria a prática, uma vez que esse instrumento serve como um feedback para que o professor possa fazer uma análise dos procedimentos metodológicos utilizados, além de despertar a criatividade e criticidade dos sujeitos envolvidos, professor e aluno. Para os discentes há uma perspectiva de aprender os conteúdos de maneira mais prazerosa, que contribua para despertar sua atenção, criatividade e imaginação (SILVA; SILVA, 2012, p. 132-133).

já cumprem a função de estabelecer contato na comunicação entre professor e aluno, alterando a monotonia das aulas exclusivamente verbais. Esses materiais ainda podem substituir, em grande parte, a simples memorização, contribuindo para o desenvolvimento de operações de análise e síntese, generalização e abstração, a partir de elementos concretos (FREITAS, 2007, p. 24).

A dinâmicas realizadas pela professora Alhandra Lanças contribuíram para que os alunos já estivessem familiarizados com os sinais dos estados e com o universo do Jorginho para um maior proveito da leitura do quarto volume da coleção.

Após a leitura foi realizada na aula uma roda de conversa onde os alunos ouvintes fizeram perguntas direcionadas aos surdos convidados. Neste momento puderam aprender mais sobre a cultura surda, identidade surda e sobre o cotidiano dos surdos presentes. O trabalho em sala de aula foi avaliado pela equipe bilíngue da escola como algo positivo pois incentivou a empatia dos alunos e despertou o interesse em aprender uma língua oficializada em 2002, por meio da lei no 10.436 que a reconheceu como a língua oficial da comunidade surda bem como o decreto federal n 5.626/2005 que regulamentou essa lei.

Como encerramento do ciclo de atividades envolvendo o quarto volume da coleção Jorginho Pelo Brasil os alunos realizaram um caderno de atividades. Uma das atividades proposta pelo caderno era de que os alunos traduzissem o gibi “Faminto”, que faz parte da coleção Histórias do Brel, para o português.

Além das atividades que envolveram a tradução como tema os alunos realizaram atividades onde puderam trabalhar a criatividade ao criarem tirinhas.

Sem dúvidas, o Jorginho amou conhecer cada aluno e poder fazer parte desses momentos tão incríveis onde a cultura surda ganhou o espaço das salas de aula. 🤟🏽

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